domingo, 28 de agosto de 2011

Melancholia (Lars Von Trier)

MELANCHOLIA:

Fui assistir ao filme, aqui na Fundaj, no Recife, no dia 13 de Agosto e me surpreendi mais uma vez com o trabalho ousado do autor Lars Von Trier. Ele é o premiado autor e diretor de Dançando no Escuro (2000)  e Dog Ville (2003) . Nesses filmes, em especial, a comiseração humana é destacada nas figuras de Selma (Bjork) a personagem que perde a visão e sonha ser bailarina de Dançando no Escuro, e Grace (Nicole Kidman) a filha do gangster que procura refúgio no pequeno vilarejo de Dog Ville. Em Melancholia (2011) a película é dividida em dois capítulos, entitulados pelos nomes de Justine (Kirten Dunst) e Claire (Charlote Gainsbourg) irmãs com concepções sobre casamento e felicidade bastante distintos. A primeira é o tipo moderno, publicitária de talento, que é alçada pelo chefe, em plena festa de casamento, ao cargo de chefe de redação de sua agência. Mas no meio da festa cara promovida por seu cunhado John (Kiefer Sutherland), num castelo, em meio às regras de comportamento e etiqueta, de caricaturas e fingimentos, Justine se sente insegura e recua na decisão do enlace, acabando por encarnar magistralmente a melancolia que intitula o filme, decidindo pelo rompimento com o marido em plenas núpcias. Em oposição a ela, Claire, homônimo do segundo capítulo, é a irmão dedicada, boa esposa e mãe que acredita nas previsões do marido de que um planeta que se escondia por trás do sol, chamado Melancholia, não atingirá a Terra, apesar de estar em rota de colisão. A crença nas ideias positivistas do marido interessado astronomia, é posta a prova quando Claire decide pesquisar a respeito do planeta e descobre que a Terra será mesmo destruída. Um belo filme para os olhos, Melancholia, inicia com uma cena de 10 minutos em imagens em alta definção, começando pelo fim, no belo choque do planeta Melancolia com a Terra, apresentando em câmara lenta e imagens surrealistas Claire, Justine e Leo (seu filho) nos momentos que antecedem ao choque . Kirsten Dunst, que ganhou a Palma de Ouro pelo filme, dá vida à melancólica personagem sujeita a certeza de um fim do mundo e que espera passivamente. Lars Von Trier encara com profundo pessimismo os ideais aparentemente sólidos da união e da felicidade no casamento, o que é largamente destacado pelos diversos personagens que circulam  no filme, com tipos como o caricatural e debochado pai das protagonistas e de sua mãe descrente e hostilizada por tentar denunciar os males da aparente felicidade no maniqueismo da representação  social do matrimônio. Claire, encara o engano como uma traição, ao comprovar que o mundo exato previsto pela ciência do marido não era verdade. O choque coloca toda a Terra em sintonia com a melancolia, estado da alma humana inevitável, por mais que se queira maquiar, deixando Lars Von Trier mais uma vez com faca e o queijo, fazendo com que o expectador aceite como inevitável a falência dos valores arbitrários, o que  tira muito da posição participativa do expectador nos questionamentos  das verdades questionadas. Mas é muito bom.